terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Os Arautos do Infortúnio


Fonte das imagens: internet/Montagem: Israel Coutinho

Por Israel Coutinho*

Quantas vezes você ouviu nos corredores de sua corporação ou na empresa onde trabalha, “isso aqui vai acabar um dia”, ou então, “o último a sair apague a luz”. Provérbio português que, banalizado pelo uso, já virou clichê.
Estamos cercados de pessimistas. Segundo as definições básicas Dicionários Houaiss da Língua Portuguesa, pessimismo significa “filosofia ou sistema dos que não têm fé no progresso moral e material, na melhoria das atuais condições sociais”. Eles não acreditam na corporação, na sociedade e no país.
O pessimista tem por característica enxergar e interpretar as coisas a sua volta pelo lado negativo e tende a esperar pelo pior, e ainda tem aqueles que ainda torcem pelo pior, e quando o pior acontece, ainda dizem, cheios de orgulho: eu não falei! Essa última categoria de pessimista é mais complicada de todas. São os vetores da má sorte, são os arautos do infortúnio.

Não podemos olvidar que a melhora da corporação ou da empresa onde trabalhamos, da comunidade em que vivemos, do país e da humanidade de uma maneira geral, depende da atitude e postura de cada um, pois estamos inseridos na sociedade, somos parte integrante dela. Esses arautos do infortúnio não agem sozinhos. Eles contaminam o ambiente de trabalho, se unem aos colegas afins, espalham o pessimismo na comunidade onde vivem, agremiam pessoas e formam o que conhecemos como “o time do contra”. Eles são contra o chefe, contra a instituição, contra a política vigente, contra os governantes e contra tudo. Só falam dos problemas, mas não tomam parte na solução. Criticar e apontar culpados é mais cômodo. Eles preferem assistir de camarote o pior acontecer.

Segundo o célebre professor Ricardo Balestreri, nós herdamos culturalmente o Sebastianismo dos portugueses. O século XVI foi o período mais adverso enfrentado pelo reinado português. Com a expectativa de manter seu crescimento em conquistas territoriais, o império luso se deparou com infortúnios e decepções já com início dos anos 500. O Sebastianismo foi uma crença ou movimento profético que surgiu em Portugal no final do o século XVI como consequência da morte do rei Dom Sebastião, na Batalha de Alcácer-Quibir, em 1578. Basicamente é um messianismo adaptado às condições lusas e à cultura nordestina do Brasil. Traduz uma inconformidade com a situação política vigente e uma expectativa de salvação, ainda que miraculosa, através do retorno de um morto ilustre. Vários setores da população não acreditavam na morte do rei, divulgando a lenda de que ele ainda se encontrava vivo, apenas esperando o momento certo para voltar ao trono e afastar o domínio estrangeiro.
Muitos de nós também está à espera de um Dom Sebastião que apareça e nos livre das mazelas e dos infortúnios da sociedade, mas segundo o citado professor, o nosso Dom Sebastião somos nós mesmos. Cabe a cada um de nós promover as mudanças que almejamos.

Só com positivismo e proatividade conseguiremos romper paradigmas e levar a sociedade ao nível de excelência almejado por todos.
Mas se você prefere continuar na sua zona de conforto, ser um arauto do infortúnio e fazer parte do time do contra, não esqueça de apagar a luz, se for o último a sair...isso se a concessionária já não tiver suprimido o fornecimento da energia elétrica por falta de pagamento, pois imagino que a corporação ou empresa onde trabalhas já tenha falido, e tu ainda não tenhas percebido.

*Israel Coutinho é Professor da Academia de Polícia "Dr. Coriolano Nogueira Cobra" do Estado de São Paulo.

Referências:
Secretaria Nacional de Segurança Pública: Palestra sobre Polícia e Direitos Humanos - Professor Ricardo Brisola Balestreri.

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