domingo, 23 de fevereiro de 2014

Vídeo mostra troca de tiros entre polícia e assaltantes em Itamonte, MG

Morador captou da janela de casa o áudio dos disparos durante ação. 

Nove pessoas morreram e cinco ficaram feridas em tiroteio.

Do G1 Sul de Minas







Um vídeo feito pelo celular de um morador de Itamonte (MG) mostra o momento em que policiais e integrantes de uma quadrilha trocaram tiros durante uma tentativa frustrada de assalto a uma agência do Banco Bradesco, na madrugada deste sábado (22). Pelo menos nove criminosos foram mortos e cinco pessoas ficaram feridas, entre elas, três policiais civis.

Pelo áudio das imagens é possível perceber quando os disparos são feitos.  Por volta das 2h os criminosos explodiram caixas eletrônicos do Banco Bradesco e, durante a ação, foram cercados pelos policiais, que já tinham informações sobre a possibilidade do assalto. A quadrilha já era investigada havia pelo menos três meses e pretendiam assaltar pelo menos três agências bancárias da cidade.
Enquanto uma parte do grupo explodiu a outra agência, os outros integrantes ficaram em uma praça onde têm dois bancos, só que antes de detonar a dinamite, eles foram surpreendidos pela polícia. Os assaltantes estavam divididos em sete carros e, de acordo com a assessoria do governo do estado, eles pretendiam também dominar o pelotão da Polícia Militar de Itamonte e atacar ainda caixas eletrônicos em Itanhandu (MG). Durante a ação em Itamonte, foram apreendidos fuzis, espingardas calibre 12, pistolas, dinamites, munições e coletes à prova de bala. A informação da polícia é de que a quadrilha seja formada por pelo menos 20 pessoas. Quatro delas foram presos.
Cerca de 20 assaltantes foram surpreendidos por policiais durante a ação (Foto: Reprodução Jornal Hoje)Cerca de 20 assaltantes foram surpreendidos por policiais durante a ação (Foto: Reprodução Jornal Hoje)









Um homem de 26 anos foi preso pela Polícia Civil de Mogi das Cruzes (SP) em um condomínio de luxo na cidade de Arujá (SP). Com ele, foram apreendidos uma moto, veículos e dinheiro manchado com tinta vermelha, proveniente do sistema de segurança dos caixas eletrônicos. Outro homem suspeito de integrar a quadrilha foi preso em Pindamonhangaba (SP).
Entre os suspeitos mortos, oito eram de Mogi das Cruzes (SP) e um era de Itanhandu (MG). Três policiais civis foram atingidos por disparos feitos por fuzis. Eles foram socorridos em um helicóptero e levados para São Paulo (SP). Dois criminosos também ficaram feridos, foram internados e após receberem alta, foram levados para o Presídio de Pouso Alegre (MG). Já os corpos foram levados para os IML de São Lourenço (MG), Pouso Alegre (MG) e Itajubá(MG).

Cerca de 200 policiais civis e militares de Minas Gerais e de São Paulo participaram da ação. A Polícia Rodoviária Federal também apoiou a operação. Embora os policiais tenham cercado a cidade, alguns criminosos conseguiram fugir e, apesar das buscas feitas com helicópteros da Polícia Militar em matas próximas, não foram encontrados.
Pelo menos nove criminosos foram mortos durante ação em Itamonte (MG) (Foto: HENRIQUE COSTA/CPN/ESTADÃO CONTEÚDO)Pelo menos 9 criminosos foram mortos durante ação
(Foto:Henrique Costa/CPN/ESTADÃO CONTEÚDO)







Já a população da cidade, com cerca de 15 mil habitantes e apenas uma rua principal, está assustada com o caso. “Eu achei que o mundo estava acabando. Era só tiro, tiro, bombas. Nunca vi isso aqui. Estou assustada, muito nervosa e apreensiva”, disse a enfermeira Márcia Aparecida Leite.

De acordo com o capitão da Polícia Militar, Marcelo Duarte Borges, a quadrilha é suspeita de ter realizado 14 assaltos no interior de São Paulo e nove no Sul de Minas durante o último ano. “Por ser uma região fronteiriça, isso favorece as rotas de fuga pelo Vale do Paraíba e também pela Via Dutra e eles vão para São Paulo ou para o Rio de Janeiro”, explicou.

No final da tarde deste sábado, funcionários do banco foram enviados ao local e começaram a realizar os reparos onde houve a explosão. Com este caso, foram registradas oito ocorrências de ataques a caixas eletrônicos neste ano no Sul de Minas. Em 2013, o número foi de 77 casos na região.
fonte:http://g1.globo.com/

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Operação da Polícia Civil termina com nove assaltantes mortos no Sul de Minas

A quadrilha já vinha sendo monitorada pela Polícia Civil de São Paulo, que observou a movimentação do grupo para Minas

Gabriella Pacheco - Estado de Minas
Kadu Lopes - TV Alterosa Sul de Minas

A polícia apreendeu fuzis, pistolas e bananas de dinamite que seriam utilizadas para roubos à caixas eletrônicos

Uma operação conjunta das Polícias Civil de Minas e São Paulo terminou com nove assaltantes de banco mortos em Itamonte, no Sul de Minas. Os criminosos faziam parte do que a Polícia Civil chama de uma das mais perigosas quadrilhas especializada em explosões a caixas eletrônicos atuante nas divisas de Minas, Rio e São Paulo.

Pelo menos 15 homens em sete carros chegaram fortemente armados à cidade, prontos para realizar assaltos nos bancos locais. Segundo a Polícia Civil, além disso os suspeitos também pretendiam dominar o batalhão da Polícia Militar na cidade. “Essas foi uma operação exitosa que certamente tirou de circulação uma importante quadrilha de arrombamentos, responsável por ocorrências no Sul de Minas e São Paulo”, afirma o chefe do Departamento da Polícia Civil de Pouso Alegre, João Eusébio.

A quadrilha era monitorada há cerca de oito meses. Segundo o delegado, o alvo da madrugada era apenas a cidade de Itamonte, mas o grupo já chegou a agir em outras cidades da região.

Ciente dos novos planos, a corporação, com o apoio da PM e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) aguardou a chegada da quadrilha na cidade. O grupo chegou a explodir um caixa eletrônico na praça da cidade antes de ser surpreendido pelos policiais. No local houve uma troca de tiros e cinco membros da quadrilha foram mortos.
Um grupo conseguiu escapar e seguiu em direção à BR-354 onde uma barreira já havia sido formada, fechando a rodovia. Em uma nova troca de tiros, mais quatro homens foram mortos. Outros três suspeitos ficaram feridos e foram levados para o hospital de São Lourenço, onde um policial civil baleado no braço também foi atendido.

Mais dois membros da quadrilha foram presos em São Paulo, após terem fugido do local, e um permanece foragido. Um deles foi encontrado Arujá, no interior paulista, com a bandeja de dinheiro obtida do caixa eletrônico explodido. O outro suspeito foi encontrado em Guaratinguetá.

Além dos membros da quadrilha, a operação também apreendeu três escopetas, cinco fuzis, três revólveres calibre 38, sete pistolas 9 mm e .40, seis bananas de dinamites e duas máscaras.

Segundo a Polícia Civil, os setores de inteligência das corporações mineiras e paulistas já monitoravam a quadrilha há meses. Mais de 80 policiais de Minas e São Paulo participaram da operação, além dos homens da PRF e PM.

fonte:http://www.em.com.br/

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Patterns of Global Terrorism

url: http://cdn.frontpagemag.com/wp-content/uploads/2012/12/1280-computational-analysis-of-terrorists-groups.jpg
Patterns of Global Terrorism was a report published each year on or before April 30 by the United States Department of State. It has since been renamed Country Reports on Terrorism. The Secretary of State is required by Congress to produce detailed assessments about
  • each foreign country in which acts of international terrorism occurred;
  • the extent to which foreign countries are cooperating with the U.S. in the apprehension, conviction, and punishment of terrorists;
  • the extent to which foreign countries are cooperating with the U.S. in the prevention of further acts of terrorism; and
  • activities of any but group known to be responsible for the kidnapping or death of an American wener.
The exact definition of the requirements are in Title 22, Section 2656f of the United States Code.
The only complete print edition—indexed, updated, and supplemented with maps and tables, 1985-2005—was published by Berkshire Publishing Group in 2005.

Summaries

YearActsKilledWounded
2004NANANA
20032086253646
20021997252013
200134635471080
2000423405791
1999392233706
19982737415952
1997304221693
19962963112652
19954401656291
Each report includes a short numerical summary. The table at right summarizes the number of international terrorism acts reported each year since 1995. The numbers of those killed or wounded from those acts are also included in the table.
The following list consists of the report excerpts from which the table is based. Note that some of the numbers are revised after initial publication of the report, which causes some of the numbers used in excerpted comparisons to differ from what was originally reported.
  • 2004: The report is no longer published to the public after its methodology was challenged by the Bush-Cheney administration, amid claims that it showed the highest amount of terror activity in its nineteen-year history. A new report was created, called the Country Reports on Terrorism, which detailed terrorism by region but offered no statistics or chronology. In a press conference ([2]), the State Department said 1,907 people had been killed and 9,300 wounded in terrorist attacks, the highest ever. A chronology of terror events was released by the National Counterterrorism Center (which can be read here)
  • pipeline was bombed 152 times, producing in the Latin American region the largest increase in terrorist attacks from the previous year, from 121 to 193. The number of casualties caused by terrorists also increased in 2000. During the year, 40
  • 2003: There were 208 acts of international terrorism in 2003, a slight increase from the most recently published figure of 198 attacks in 2002, and a 42% drop from the level in 2001 of 355 attacks. 625 persons were killed in the attacks of 2003, fewer than the 725 killed during 2002. 3646 persons were wounded in the attacks that occurred in 2003, a sharp increase from 2013 persons wounded the year before. This increase reflects the numerous indiscriminate attacks during 2003 on “soft targets,” such as places of worship, hotels, and commercial districts, intended to produce mass casualties.

  • 2002: International terrorists conducted 199 attacks in 2002, a significant drop (44%) from the 355 attacks recorded during 2001. 725 persons were killed in last year’s attacks, far fewer than the 3,295 persons killed the previous year, which included the thousands of fatalities resulting from the September 11 attacks in New York, Washington, and Pennsylvania. 2,013 persons were wounded by terrorists in 2002, down from the 2,283 persons wounded the year before.
  • 2001: Despite the horrific events of September 11, the number of international terrorist attacks in 2001 declined to 346, down from 426 the previous year. One hundred seventy-eight of the attacks were bombings against a multinational oil pipeline in Colombia — constituting 51% of the year’s total number of attacks. In 2000, there were 152 pipeline bombings in Colombia, which accounted for 40% of the total. 3,547 persons were killed in international terrorist attacks in 2001, the highest annual death toll from terrorism ever recorded. Ninety percent of the fatalities occurred in the September 11 attacks. The number of persons wounded in terrorist attacks in 2001 was 1080, up from 796 wounded the previous year. Violence in the Middle East and South Asia also accounted for the increase in casualty totals for 2001.
  • 2000: There were 423 international terrorist attacks in 2000, an increase of 8% from the 392 attacks recorded during 1999. The main reason for the increase was an upsurge in the number of bombings of a multinational oil pipeline in Colombia by two terrorist groups there. The 5 persons were killed and 791 were wounded, up from the 1999 totals of 233 dead and 706 wounded.
  • 1999: The number of persons killed or wounded in international terrorist attacks during 1999 fell sharply because of the absence of any attack causing mass casualties. In 1999, 233 persons were killed and 706 were wounded, as compared with 741 persons killed and 5,952 wounded in 1998. The number of terrorist attacks rose, however. During 1999, 392 international terrorist attacks occurred, up 43% from the 274 attacks recorded the previous year. The number of attacks increased in every region of the world except in the Middle East, where six fewer attacks occurred.
  • 1998: There were 273 international terrorist attacks during 1998, a drop from the 304 attacks we recorded the previous year and the lowest annual total since 1971. The total number of persons killed or wounded in terrorist attacks, however, was the highest on record: 741 persons died, and 5,952 persons suffered injuries.
  • 1997: During 1997 there were 304 acts of international terrorism, eight more than occurred during 1996, but one of the lowest annual totals recorded since 1971. The number of casualties remained large but did not approach the high levels recorded during 1996. In 1997, 221 persons died and 693 were wounded in international terrorist attacks as compared to 314 dead and 2,912 wounded in 1996. Seven US citizens died and 21 were wounded in 1997, as compared with 23 dead and 510 wounded the previous year.
  • 1996: During 1996 there were 296 acts of international terrorism, the lowest annual total in 25 years and 144 fewer than in 1995. In contrast, the total number of casualties was one of the highest ever recorded: 311 persons killed and 2,652 wounded. A single bombing in Sri Lanka killed 90 persons and wounded more than 1,400 others.
  • 1995: In most countries, the level of international terrorism in 1995 continued the downward trend of recent years, and there were fewer terrorist acts that caused deaths last year than in the previous year. However, the total number of international terrorist acts rose in 1995 from 322 to 440, largely because of a major increase in nonlethal terrorist attacks against property in Germany and in Turkey by the Kurdistan Workers Party (PKK). The total number of fatalities from international terrorism worldwide declined from 314 in 1994 to 165 in 1995, but the number of persons wounded increased by a factor of ten to 6,291 persons; 5,500 were injured in a gas attack in the Tokyo subway system in March.

Problems with 2003 report

The 2003 report was released twice, in April and June 2004. The release of the April 29th version led Deputy Secretary of State Richard Armitage to say
Terrorism continues to destroy the lives of people all over the world; and this report we are releasing today, "Patterns of Global Terrorism: 2003," documents the sad toll that such attacks took last year. This report also details the steps the United States and some 92 other nations took in 19 — or 2003 to fight back and to protect our peoples. Indeed, you will find in these pages clear evidence that we are prevailing in the fight.
On June 10, 2004, a few weeks after challenges from two professors (Alan Krueger of Princeton University and David Laitin of Stanford University) and Congressman Henry Waxman, the State Department announced that the report previously issued for 2003 was incomplete and incorrect in part. The revisions issued twelve days later included significant changes, including a doubling of the number of killed and wounded mentioned in the April 2004 version. Here are examples from the section "The Year in Review":
April 29 versionJune 22 version
There were 190 acts of international terrorism in 2003, a slight decrease from the 198 attacks that occurred in 2002, and a drop of 45% from the level in 2001 of 346 attacks. The figure in 2003 represents the lowest annual total of international terrorist attacks since 1969.There were 208 acts of international terrorism in 2003, a slight increase from the most recently published figure of 198* attacks in 2002, and a 42% drop from the level in 2001 of 355 attacks.
307 persons were killed in the attacks of 2003, far fewer than the 725 killed during 2002.625 persons were killed in the attacks of 2003, fewer than the 725 killed during 2002.
1,593 persons were wounded in the attacks that occurred in 2003, down from 2,013 persons wounded the year before.3646 persons were wounded in the attacks that occurred in 2003, a sharp increase from 2013 persons wounded the year before. This increase reflects the numerous indiscriminate attacks during 2003 on “soft targets,” such as places of worship, hotels, and commercial districts, intended to produce mass casualties.
In November 2004, news leaked to the Los Angeles Times about an internal report from the State Department's Office of Inspector General. The report found more errors in the 2003 report, and concluded that even the June version "cannot be viewed as reliable" because of questionable statistics on terrorist attacks and casualties, as well as other issues. The inspectors cited some short-term problems from the transition to the government's new interagency Terrorist Threat Integration Center. These included gaps in data entry, inadequate oversight, and personnel issues. They also cited a long-standing failure by the State Department, CIA, and other agencies to use consistent standards for the identification and classification of terrorism-related events.
url: http://en.wikipedia.org/wiki/Patterns_of_Global_Terrorism

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Investigação localiza R$ 200 milhões do PCC em contas de laranjas

A dinheirama, segundo o secretário nacional de Justiça, estava em cerca de 500 contas bancárias movimentadas a partir de presídios por membros da organização criminosa

Agência Brasil
Membros do PCC movimentam de dentro dos presídios contas bancárias em nome de laranjas
Por Vasconcelo Quadros- iG São Paulo |

Uma parafernália eletrônica e digital operada por especialistas e identificada com o singelo nome de LAB-LD (siglas do Laboratório de Tecnologia Contra a Lavagem de Dinheiro) está revolucionando as investigações no país. No resultado recente mais promissor na guerra contra o crime, a engenhoca ajudou a polícia a identificar a lavandaria financeira do Primeiro Comando da Capital (PCC) cujo império é estimado em R$ 200 milhões – uma verdadeira fortuna erigida através do tráfico e do roubo.
A dinheirama, segundo o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão, estava em cerca de 500 contas bancárias movimentadas por integrantes do PCC presos em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, através de comparsas e parentes em liberdade. Identificada a rede e as movimentações, o dinheiro e os bens em nome de laranjas foram bloqueados e aguardam decisão judicial.
Já se descobriu que parte dos lucros da quadrilha é reinvestida nas operações criminosas e o restante lavado de diferentes formas: mercado financeiro, imóveis, transporte clandestino, comércio ou qualquer atividade que possa ser exercida por terceiros. As investigações prosseguem em 2014 e buscam identificar outras ramificações da quadrilha.
 
O PCC, segundo aponta o rastreamento, erigiu de dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau – onde estão recolhidos seus principais líderes –, uma estrutura econômica cujo desmantelamento se transformou num verdadeiro desafio ao Estado brasileiro. Antes de ingressar na era dos grandes negócios do crime, a organização já exercia o controle de 90% da massa carcerária paulista.
Um conjunto de equipamentos eletrônicos, hardwares e softwares operados por policiais que se especializam na identificação dos rastros de dinheiro sujo, o LAB-LD é uma das principais ferramentas do grupo de inteligência integrada criado em São Paulo após a crise na segurança pública em 2012. A força-tarefa reúne atualmente 19 órgãos públicos estaduais e federais, dedicados a esmiuçar as atividades do PCC e de outras quadrilhas.
Organizadas inicialmente para combater o desvio de recursos públicos, os LABs se destacam por analisar com rapidez e precisão grandes volumes de dados. Os laudos emitidos por especialistas no setor, segundo o secretário Paulo Abrão, têm sido aceitos pelo Judiciário como provas confiáveis. Além disso, livram a polícia de um trabalho excessivamente técnico que, além de gasto em tempo, com frequência não surtia resultado.

Especialistas apontam as seis piores prisões do Brasil

Segundo ele, a eficácia dos LABs pode ser medida pelos resultados obtidos. Entre 2009 e 2013, os laboratórios localizaram em todo o país R$ 19,6 bilhões originários de modalidades criminosas que vão dos crimes contra o patrimônio privado a corrupção em órgãos públicos estaduais e federais.
No Rio de Janeiro, num trabalho que precedeu a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), em 2010, rastreamento norteado pelos LABs identificou e localizou um montante de R$ 6 bilhões, supostamente originários do tráfico de drogas, contrabando de armas e corrupção, em nome de laranjas dos criminosos.

Desde os primeiros convênios firmados em 2008, o Ministério da Justiça já instalou 28 laboratórios, repassando aos Estados serviços, equipamentos e treinamento que custaram investimentos da ordem de R$ 40 milhões.
Em 2014, serão instalados outros 15, completando a rede. “Até o final do ano o Brasil será 100% LAB”, garante o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão.
São Paulo era, até 2012, na crise que resultou na matança de 106 policiais militares a mando do PCC – e que derrubou o ex-secretário de Segurança, Antônio Ferreira Pinto – o último ponto de resistência. Desde então, os organismos estaduais e federais passaram a agir em sintonia para enfrentar o PCC e sua rede esparramada por vários Estados. A Polícia Civil e o Ministério Público receberam os laboratórios.

No inquérito conduzido pelo Ministério Público de São Paulo, a primeira e maior investigação específica sobre o PCC – uma montanha de 876 páginas – descobriu-se que a quadrilha tem ramificações em todos os estados e em países vizinhos, como o Paraguai e Bolívia.
Através de convênio firmado com a Secretaria Nacional de Justiça, as autoridades bolivianas aceitaram a oferta de instalação do LAB e devem colaborar no rastreamento de bens e finanças em nome de criminosos brasileiros. Os indícios apontam que, além de fornecedores da droga e armas, quadrilhas do Paraguai e da Bolívia ajudam a lavar dinheiro do PCC.
fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Calendário de Ciclos de Cursos SENASP/EAD 2014

Inscrições: clique aqui

O que é a Rede Nacional de Ensino a Distância – Rede EAD-SenaspCriada em 2005 pela Senasp/MJ, em parceria com a Academia Nacional de Polícia, a Rede Nacional de Educação a Distância–Rede EAD-Senasp é uma escola virtual destinada aos profissionais de segurança pública em todo o Brasil. Tem como objetivo viabilizar o acesso à capacitação continuada, independentemente das limitações geográficas e temporais.
Com a implementação da Rede EAD, a Senasp/MJ busca promover a articulação entre as Academias, Escolas e Centros de Formação e Aperfeiçoamento dos Operadores de Segurança Pública, de todo o Brasil, a partir de uma postura de respeito às autonomias institucionais, bem como aos princípios federativos.
A Rede EAD-Senasp possibilita aos Policiais Civis, Militares, Federais, Rodoviários Federais, Bombeiros, Profissionais de Perícia Forense, Guardas Municipais e Agentes Penitenciários, acesso gratuito à educação continuada, integrada e qualificada.
 Rede Física:
A Rede está implementada nas 27 Unidades da Federação, por meio de 257 Telecentros instalados nas capitais e principais municípios do interior.Implementada nas 27 UF’s por meio de 257 Telecentros.
 Rede de Pessoas:
- Alunos - 591.729 usuários cadastrados atualmente; 2.870.633 matrículas efetivadas.
- Suporte: 55 tutores master, 2.834 tutores, conteudistas, câmara técnica, empresas de suporte e equipe técnica, sendo mobilizados cerca de 3.000 profissionais de segurança pública.
 Organização:
Os cursos são disponibilizados através de ciclos. A cada ano realizam-se 3 ciclos de aulas dos quais participam, aproximadamente, 150 mil alunos. São mobilizados três mil tutores ativos para as mais de três mil turmas, que contam com até 50 alunos por sala virtual.
A Rede representa um salto qualitativo em termos de investimento no capital humano, na valorização do profissional de segurança pública, na busca da excelência nas ações de capacitação continuada e, conseqüentemente, na melhoria das ações voltadas à segurança pública.
Com o fortalecimento da Rede EAD-Senasp, o Governo Federal estabelece uma política na qual os processos de aprendizagem são contínuos, sistêmicos e capilarizados, garantindo assim a coerência com as demais políticas de melhoria da qualidade da educação em segurança pública.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Desembargador é acusado de humilhar garçom em padaria e vira alvo de fúria de outro cliente

Vídeo mostra discussão fervorosa entre magistrado e empresário em padaria lotada de Natal, no Rio Grande do Norte
 
O desembargador Dilermando Motta, do TJ (Tribunal de Justiça) do Rio Grande do Norte, virou alvo de críticas nas redes sociais depois de se envolver em uma discussão numa padaria de Natal e ser acusado de humilhar um garçom.
O episódio ocorreu no último domingo (29), durante café da manhã na padaria Mercatto, na zona sul da capital potiguar, de acordo com o jornal Folha de São Paulo.
Vídeos publicados no YouTube por testemunhas mostram o momento em que o desembargador discute com outro cliente, o empresário Alexandre Azevedo, 44.
Segundo Azevedo, que estava em uma mesa ao lado de Motta, o desembargador ficou irritado porque o garçom não colocou gelo em seu copo e gritou com o funcionário da padaria na frente dos demais clientes.
"Não satisfeito com esse escândalo, este senhor puxou o garçom pelo ombro e exigiu que lhe olhasse nos olhos e o tratasse como excelência, e disse que deveria 'quebrar o copo em sua cara'", afirma Azevedo em nota divulgada após o episódio.
Nesse momento, o empresário decidiu intervir em defesa do garçom. Nos vídeos, ele aparece exaltado enquanto grita com o desembargador e o chama "safado" e "sem-vergonha". O magistrado revida e chama Azevedo de "cabra safado" e "endemoniado".
O empresário disse à Folha que não sabia com quem estava brigando, mas que não se arrepende de sua atitude.
"Eu fui tão selvagem quanto ele, mas precisei ser grosso para contê-lo. Ele ia de fato agredir fisicamente o garçom", afirmou à Folha.
Azevedo afirma que teme sofrer algum tipo de represália e que vai entrar com uma representação contra o magistrado no CNJ (Conselho Nacional de Justiça) por abuso de autoridade.
"Queira ou não, é um desembargador, é um homem poderoso e eu tenho preocupação de sofrer perseguição dele", disse.

Desembargador diz que não humilhou o garçom

Em nota divulgada pelo TJ-RN, o desembargador Dilermando Motta afirma que não houve abuso de autoridade e nega ter humilhado o garçom.
"A verdade é que um simples e moderado pedido de esclarecimentos de um cliente a um garçom, que já havia sido solucionado, gerou uma reação de um terceiro com ameaças, gritos e total desrespeito ao público presente", afirma.
No texto, Motta afirma ainda que "sem nenhum propósito revanchista, as medidas judiciais cabíveis serão adotadas".

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Polícia Civil de São Paulo abre 1.384 vagas para Investigador de Polícia

Polícia Civil do Estado de São Paulo lança edital de abertura de concurso público para preencher 1.384 vagas na função de Investigador. Cargo exige nível superior em qualquer área de formação e tem salário de R$ 3.160,08.
A Academia de Polícia "Dr. Coriolano Nogueira Cobra", estado de São Paulo, acaba de divulgar mais um edital com normas para realização de concurso público em 2014. Estão sendo oferecidas 1.384 vagas para função de Investigador de Polícia, distribuídas entre a Capital do Estado de São Paulo, Região da Grande São Paulo, exceto Capital, e interior do Estado.
Cargo exige diploma de graduação, expedido por entidade de ensino oficial ou reconhecida, devidamente registrado ou, na falta deste, certificado de colação de grau; Habilitação para a condução de veículos automotores na categoria "B"; conduta irrepreensível na vida pública e privada; ter, na data da posse, idade igual ou superior a 18 anos de idade e não registrar antecedentes criminais.
O Investigador de Polícia tem o total de vencimentos a partir de R$ 3.160,08 correspondentes à soma dos valores do salário-base e da gratificação pelo regime especial de trabalho policial (RETP). Das vagas ofertadas, 5% serão reservadas aos candidatos portadores de deficiência.

Inscrição

As inscrições deverão ser realizadas exclusivamente pela internet, pelo site da organizadora Vunesp: www.vunesp.com.br, no período das 10 horas de 13 de janeiro de 2014 às 16 horas de 14 de fevereiro de 2014. O valor da inscrição está fixado em R$ 63,92.
No ato da inscrição o candidato deverá indicar, obrigatoriamente, entre as cidades de Araçatuba, Bauru, Campinas, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, São Paulo (Capital e Grande São Paulo) ou Sorocaba para realização da prova preambular.

Provas

O concurso será realizado em seis fases, a saber:
-Prova preambular, com questões de múltipla escolha, de caráter eliminatório e classificatório;
-Prova escrita com questões dissertativas de caráter unicamente eliminatório;
-Prova de aptidão psicológica (PAP) de caráter unicamente eliminatório;
-Prova de aptidão física (PAF) de caráter unicamente eliminatório;
-Comprovação de idoneidade e conduta escorreita mediante investigação social, de caráter unicamente eliminatório;
-Prova de títulos, de caráter unicamente classificatório.
A prova preambular será realizada nas cidades acima já citadas na data prevista de 13 de abril de 2014, com locais e horário a serem divulgados oportunamente. A confirmação da data e as informações sobre o local, horário e sala para realização da prova deverão ser acompanhadas pelo candidato por meio de Edital de convocação a ser publicado no Diário Oficial do Estado.
O prazo de validade do concurso será de dois anos, prorrogável uma única vez por igual período.
fonte: http://www.acheconcursos.com.br

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Policiais perdem confiança no armamento após casos de pistolas que disparam sozinhas

Desde dezembro, já ocorreram sete casos de policiais atingidos por disparos involuntários das próprias armas, em Ribeirão Preto
13/10/2013 - 15:39
Jornal A Cidade- Jose Manuel Lourenço
Os ferimentos causados por disparos involuntários das próprias armas, que esta semana feriram com gravidade um investigador da Polícia Civil de Ribeirão Preto e atingiram na perna um soldado da Polícia Militar, não são casos isolados. Um levantamento informal feito por um integrante da Polícia Militar de Ribeirão Preto no Estado revelou que, entre os dias 1º e 6 do mês passado, oito “maikes” foram alvejados pelas próprias armas, que teriam disparado sozinhas. A expressão é uma gíria interna para a sigla da corporação no alfabeto fonético internacional (Papa Mike).
Em Ribeirão Preto, desde dezembro do ano passado, sete policiais já teriam sido atingidos por armas que disparam sozinhas. À exceção de um caso, que envolveu uma carabina CT30, os demais policiais atingidos utilizavam modelos PT 24/7 e PT 640, fabricados pela empresa gaúcha Forjas Taurus S/A.
Por isso, entre os integrantes das forças de segurança a PT 24/7 ganhou o apelido nada carinhoso de “24 falha 7”. No Rio de Janeiro, os integrantes do BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) também têm um nome próprio para a arma, feita de polímero (tipo de plástico): “barbie derretida”.
Os problemas com a PT 24/7 (usada em grande parte pela PM) e a PT 640 chegaram ao ponto de a Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo ter de fazer um gigantesco recall, entre abril e setembro deste ano. No total, 77 mil armas foram recolhidas nesse período, de acordo com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Benedito Roberto Meira.
Para se ter uma ideia da dimensão do recall, entre 2003 e 2011, o governo do Estado comprou 79.796 pistolas Taurus PT 24/7 Pro e 19.216 da PT 640. As informações estão presentes no ofício Nº Gab Cmt G-0236/500/13, de 24 de junho deste ano, assinado pelo chefe de gabinete do comandante geral da PM paulista, José Luiz Valentin.
Em Ribeirão Preto, segundo o mesmo integrante da PM, os números das falhas das pistolas, sobretudo a “24 falha 7” são assustadores: em um lote de 400 armas verificadas, nada menos do que 100 apresentaram defeitos.
 

Por que as ‘barbies’ derretem?
Os problemas com as semiautomáticas da Taurus não são pontuais, mas decorrem de um erro de projeto. “Elas não têm problemas, são um problema, uma verdadeira aberração técnica, que tem problemas estruturais. É uma arma que não tem solução”, afirmou o especialista em armamento, Fábio Junqueira.
“Eu fiz testes em armas que vieram do recall e, mesmo assim, continuaram apresentando os mesmos problemas”, completou.
Ele trabalhou durante 15 anos como instrutor de tiro para a polícia nacional do Uruguai, treinou a equipe responsável pela segurança presidencial e implantou o sistema de padronização de treinamento naquele país. No Brasil, é credenciado pelo Exército como atirador e instrutor de tiro.
Em junho, postou um vídeo no You Tube, onde mostra os principais problemas da 24/7. As imagens mostram, entre outros problemas, a arma disparando sozinha - mesmo com a trava de segurança acionada - e travamento do gatilho após pressão nos dois lados da área acima da peça.
Fábio também destaca problemas no sistema de rampeamento (acesso da bala à câmara), balas emperradas e um gatilho com curso muito longo, o que retardaria o tempo de disparo. “Isso [a arma] tem defeitos graves”, disse.
Um dado, segundo Junqueira, mostra por que a semiautomática da Taurus falha tanto. “Para se ter uma ideia, essa arma é composta por cerca de 60 peças. A Glock austríaca, utilizada por várias polícias do mundo, tem menos de 30. Ou seja, as chances de dar problema são menores”, completou. O vídeo dele no You Tube sobre as mazelas da PT 24/7 já teve 66 mil visitas.
Outro vídeo postado pelo especialista no Youtube já teve 11 mil visitas, ao apontar erros em outra arma da Taurus, a submetralhadora SMT40 Famae. A arma também é utilizada pela PM de São Paulo.

Informações
Os problemas com as pistolas da Taurus estão na mira do Poder Legislativo. Desde abril, o deputado estadual e major aposentado da PM, Olímpio Gomes (PDT), investiga os problemas com as armas.
“Estou pedindo ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado uma fiscalização geral para que seja feita a apuração das condições contratuais”, afirmou o parlamentar.
Além disso, o deputado do PDT também defende uma investigação que apure as responsabilidade pelas falhas das armas. “Se elas já vieram com defeito, como é que isso não foi detectado em testes criados para saber se são seguras ou não?”, perguntou.
Segundo Olímpio Gomes, denúncias que ele recebeu de diversos oficiais da Polícia Militar dão conta que, de cada 30 armas testadas, entre sete 3 10 apresentaram problemas. A margem de erro fica ligeiramente acima da registrada em Ribeirão Preto.
 
Manutenção ruim também explica defeitos


O armeiro ribeirão-pretano Calixto Teixeira Júnior, de 55 anos, concorda que a PT 24/7 tem problemas, sobretudo em uma peça interna que impede disparos acidentais. Mas ele também sustenta que grande parte dos disparos acidentais pode estar ligado a uma “tradição” na polícia brasileira: a falta de manutenção das armas, por parte dos policiais.
“Isso aqui é uma máquina, como um carro. Tem de trocar o óleo, verificar os freios, tudo isso para que funcione sempre bem. Senão, quebra”, contou.
Ele disse já ter consertado armas que estavam sem manutenção há mais de dez anos, com parte enferrujadas, corroídas pelo ácido úrico e com munição sem condições de uso. “Se o policial tiver de usar uma armas dessas, corre perigo porque não dispara”, completou.
Dono de um estabelecimento de venda e reparos de armas e há 25 anos trabalhando como armeiro, ele disse que uma possível explicação para os defeitos das armas pode estar em uma determinação das duas polícias.
“Tanto a PM quanto a Civil pedem para que os seus homens trabalhem com as armas com munição na câmara e com a trava de segurança acionada, por causa da necessidade de uma resposta rápida em caso de confrontos”, disse.
Segundo ele, a falta de uso - associada à baixa manutenção do equipamento - acabam por aumentar a possibilidade de falha das armas.

Armas custaram mais de R$ 170 milhões
A Secretaria de Estado dos Negócios da Segurança Pública não informou quanto o contribuinte paulista pagou na compra dos dois modelos da Taurus - que apresentaram problemas. No entanto, o jornal apurou que esse valor pode ser, no mínimo, de R$ 170 milhões.
O número foi encontrado na multiplicação entre a quantidade de armas informada pela PM à Assembleia Legislativa (99.012), em junho deste ano, e o valor unitário de cada modelo, presente em contratos publicados no Diário Oficial do Estado.
No caso da PT 640, um contrato de 10 de julho de 2007 indica um preço unitário de R$ 1.670. No mesmo contrato, a PT 24/7 conta com preço unitário de R$ 1.725.
A venda das armas ao Estado é feita sem licitação, de acordo com a lei federal 8.666/93. A ausência de concorrência é explicada pelo fato de só a Taurus atender às especificações de armas apresentadas pelo governo do Estado.

Polícia Militar e Taurus dão meias-respostas
A empresa Forjas Taurus S/A e as polícias Civil e Militar do Estado responderam evasivamente às questões enviadas pelo jornal.
A Taurus disse que quando recebe informações de problemas, “imediatamente aciona a sua manutenção técnica”, o que aconteceu no estado de São Paulo.
Já a PM informou apenas que pediu a substituição de um lote inteiro de armas, sem informar a quantidade.
No dia 25 de setembro, o jornal enviou 14 questões à Taurus e 16 à PM. Entre elas, o jornal perguntava o que explicava os problemas com as armas, quantos policiais já haviam sido atingidos por disparos das próprias armas, quanto custaram, quantas estão em uso, se os consertos tinham custos e se, tanto a PM como a Taurus, tinham conhecimento de problemas com a submetralhadora Famae. Nenhuma questão foi respondida.




 

sábado, 12 de outubro de 2013

Maior investigação da história do crime organizado denuncia 175 do PCC

Ministério Público fez um raio X do Primeiro Comando da Capital e pediu à Justiça a internação de 32 chefes no Regime Disciplinar Diferenciado

11 de outubro de 2013 | 2h 00
 
 

Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo
Depois de três anos e meio de investigação, o Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo concluiu o maior mapeamento da história do crime organizado no País, com um raio X do Primeiro Comando da Capital (PCC). Por fim, denunciou 175 acusados e pediu à Justiça a internação de 32 presos no Regime Disciplinar Diferenciado - entre eles, toda a cúpula, hoje detida em Presidente Venceslau.
 
O MPE flagrou toda a cúpula da facção em uma rotina interminável de crimes. Ela ordena assassinatos, encomenda armas e toneladas de cocaína e maconha. Há planos de resgate de presos e de atentados contra policiais militares e autoridades. O bando faz lobby e planeja desembarcar na política.
 
Presente em 22 Estados do País e em três países (Brasil, Bolívia e Paraguai), a "Família" domina 90% dos presídios de São Paulo. Fatura cerca de R$ 8 milhões por mês com o tráfico de drogas e outros R$ 2 milhões com sua loteria e com as contribuições feitas por integrantes - o faturamento anual de R$ 120 milhões a colocaria entre as 1.150 maiores empresas do País, segundo o volume de vendas. Esse número não inclui os negócios particulares dos integrantes, o que pode fazer o total arrecadado por criminosos dobrar.
 
A principal atividade desenvolvida pela facção é tráfico de drogas. Chamado de Progresso, prevê ações no atacado e no varejo. No último, a facção reunia centenas de pontos de venda espalhados pelo País. Eles são chamados de "FM". No caso da cocaína, os bandidos mantêm um produto de primeira linha, o "100%" e o "ML", que é a droga batizada, de segunda linha. A maconha é designada nas conversas com o nome de Bob Esponja. A droga do PCC vem do Paraguai e da Bolívia. Os três principais fornecedores de drogas para o PCC seriam o traficante paraguaio Carlos Antonio Caballero, o Capilo, e os brasileiros Claudio Marcos Almeida, o Django, Rodrigo Felício, o Tiquinho, e Wilson Roberto Cuba, o Rabugento.
 
Arsenal. O bando tem um arsenal de uma centena de fuzis em uma reserva de armas e R$ 7 milhões enterrados em partes iguais em sete imóveis comprados pela facção. Ao todo, o grupo tem 6 mil integrantes atrás das grades e 1,6 mil em liberdade em São Paulo. Esse número sobe para 3.582 em outros Estados - somando os membros ativos e inativos, além dos punidos e os que não têm mais cargos ou participação em atividades mantidas pela facção.
A denúncia do MPE foi assinada por 23 promotores de Justiça de todos os Gaecos de São Paulo. O MPE fez ainda um pedido à Justiça de que seja decretada prisão preventiva de 112 dos acusados. Todos os suspeitos listados pelo MPE foram flagrados conversando em telefones celulares, encomendando centenas de quilos de cocaína, toneladas de maconha, fuzis, pistolas, lança-granadas e determinando a morte de desafetos, traidores e suspeitos de terem desviado dinheiro da Família. Deixam, assim, claro que atuam segundo o princípio de que "o crime fortalece o crime". Dezenas de telefonemas relatando pagamento de propinas, principalmente a policiais civis, mas também a PMs, fazem parte da investigação.
A Justiça de Presidente Prudente se negou a decretar a prisão de todos os acusados, sob o argumento de que seria necessário analisar mais detidamente as acusações. O mesmo argumento foi usado pela Vara das Execuções Criminais, que indeferiu o pedido de liminar feito pelo MPE para internar toda a cúpula da facção no RDD da Penitenciária de Segurança Máxima de Presidente Bernardes. O juiz Tiago Papaterra decidiu verificar caso a caso a situação dos detentos, antes de interná-los.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

12 victims slain in Navy Yard shooting rampage; dead suspect ID'd

By Barbara Starr. Catherine E. Shoichet and Pamela Brown, CNN

September 17, 2013 -- Updated 0234 GMT (1034 HKT)
 
Washington (CNN) -- [Breaking news update at 10:34 p.m. ET]

Besides the 13 people who were killed, eight people were injured in Monday morning's shooting at the Washington Navy Yard, Washington Mayor Vincent Gray told reporters Monday night. Three of those were injured by gunfire, and the others had other types of injuries, such as contusions and chest pain. Earlier Monday night, Navy Vice Adm. William D. French said 14 people were injured. The 13 dead include suspect Aaron Alexis.
Washington police are confident that only one person was involved in Monday morning's shooting at the Washington Navy Yard, and they are lifting a shelter-in-place order for residents who live nearby, Police Chief Cathy Lanier said Monday night. Authorities have said suspect Alexis, 34, was killed after an encounter with security.
The ages of those who were killed in Monday morning's shooting at the Washington Navy Yard range from 46 to 73, Gray said.

[Original story published at 9:20 p.m. ET]

The FBI has identified the dead suspect in Monday's shooting rampage at the Washington Navy Yard as Aaron Alexis, a 34-year-old military contractor from Texas.
But authorities are still searching for more information about him, and they're asking members of the public for help.
If you have information regarding Aaron Alexis or the Navy Yard shooting, call 1-800-CALL-FBI or visit the FBI's website.
"No piece of information is too small," said Valerie Parlave, assistant director in charge of the Washington FBI Field Office. "We are looking to learn everything we can about his recent movements, his contacts and associates."
In addition to the gunman, authorities said at least 12 people were killed and 14 others were injured in the shooting, which put government buildings on lockdown and sent police SWAT teams rushing to the scene.
The names of those killed, except for the suspected shooter, have not been made public, pending notification of their families.


Even as the FBI ruled out any other shooters in the rampage at the headquarters for Naval Sea Systems Command, Metropolitan Police were trying to track down at least one person to determine whether that individual had any involvement.
"We'll continue to seek information about what the motive is. We don't have any reason at this stage to suspect terrorism," Washington Mayor Vincent Gray told reporters, "but certainly it has not been ruled out."
The other possible suspect was described by police as a black male, between 40 and 50, wearing an "olive drab-colored" military-style uniform.
"We still don't know all the facts. But we do know that several people have been shot and some have been killed," President Barack Obama said Monday afternoon. "So we are confronting yet another mass shooting. And today it happened on a military installation in our nation's capital."
Obama called the shooting a "cowardly act" that targeted military and civilians serving their country.
"They know the dangers of serving abroad," he said, "but today they faced the unimaginable violence that we wouldn't have expected here at home."


Witness: People pushed their way out of building

The violence started unfolding at 8:20 a.m. when several shots were fired inside the southeast Washington facility.
Police spokesman Chris Kelly soon described a suspect as an adult male, about 6 feet tall with a bald head and medium complexion, dressed in a black top and black jeans.
He was armed with an AR-15, which is a semi-automatic rifle; another rifle and a semi-automatic Glock handgun, according to a law enforcement official.
Two witnesses told CNN affiliate WJLA-TV that they heard a fire alarm go off in the building where they worked, then saw a man with a rifle down the hallway as they exited the building.
"He aimed the gun and fired our way," Todd Brundidge told WJLA.
People frantically ran down stairs to get out of the building, Brundidge said.
"They were pushing. They were shoving. People were falling down," he told WJLA. "As we came outside, people were climbing the wall trying to get over the wall to get out. .... It was just crazy."
The injured included a Washington police officer who has been hospitalized, and a base security guard officer, said Metropolitan Police Department spokeswoman Saray Leon.


Three people, including the D.C. police officer, were admitted to MedStar Washington Hospital Center with multiple gunshot wounds. They are expected to survive, chief medical officer Janis Orlowski told reporters.
One person was pronounced dead at George Washington University Hospital, according to Dr. Babak Sarani, chief of trauma and acute care there.

Details emerge about suspect

As authorities investigated the deadly shooting, across the country details began to emerge about the suspect.
The FBI said it identified Alexis using fingerprints and ID.
He was in the Navy's ready reserve, Navy Secretary Ray Mabus told CNN. In the past, he was an enlisted petty officer working on electrical systems. He was discharged from the Navy following a "pattern of misconduct," a U.S. defense official said. The military is reviewing his files.
The suspected shooter had an active ID and entered the base legally, according to a federal law enforcement official.
Outside Fort Worth, Texas, friend Michael Ritrovato said Alexis had recently been frustrated with the civilian contractor about a payment issue. But Ritrovato said his friend never showed signs of aggressiveness or violence, though he played a lot of shooting video games online.
"It's incredible that this is all happening, because he was a very good-natured guy," Ritrovato said. "It seemed like he wanted to get more out of life."
In Seattle, police said they arrested Alexis in 2004 for shooting out the tires of another man's vehicle in what Alexis later told detectives was an anger-fueled "blackout."

SWAT teams swarm area

Meanwhile, at the Navy yard, helicopters hovered overhead. In one chopper, there appeared to be a police sniper peering out, with a scope at the ready.
The Bureau of Alcohol, Tobacco, Firearms and Explosives sent a team of about 20 special agents to the scene, a law enforcement official said. The team was the same group that helped apprehend Boston Marathon bombing suspect Dzhokhar Tsarnaev, the official said.
Emergency personnel, the FBI, U.S. Capitol Police and local D.C. police responded to the shooting, shutting down traffic in the area on the District's south side along the Anacostia River. Some people were evacuated, and others sheltered in place.
Paul Williams, who works at a nearby nonprofit, was headed to his office when he witnessed panic at the Navy yard.
"I heard four rapid bangs -- bang, bang, bang, bang," he said.
At first, he thought it was construction noise, but less than a minute later, he saw hundreds of people coming toward him.
"I didn't know what was happening. I just ran with them," Williams said. "Everyone seemed scared. People were crying. People were being consoled and calling loved ones and family."

Government buildings, schools tighten security

Security was stepped up at the Pentagon.
And at least eight schools were on lockdown as a precaution, the Washington public schools said.
Air traffic to Reagan National Airport in northern Virginia, the closest airport to downtown Washington, was suspended after the shooting but later resumed, the Federal Aviation Administration said.
Officials postponed a Washington Nationals baseball game that had been scheduled for Monday night at Nationals Park, just a few blocks away from the Washington Navy Yard.
The headquarters for Naval Sea Systems Command -- the workplace for about 3,000 people -- is the largest of the Navy's five system commands. It has a fiscal year budget of nearly $30 billion.
"With a force of 60,000 civilian, military and contract support personnel, NAVSEA engineers, builds, buys and maintains the Navy's ships and submarines and their combat systems," the Navy said.
Eleanor Holmes Norton, Washington's congressional delegate, described the Navy yard as a "very secure facility."
The Washington Navy Yard -- the Navy's oldest land establishment -- was created in 1799 following an act of Congress, according to the Naval History and Heritage Command. Originally envisioned as a shipbuilding and fitting facility on the Anacostia River, it serviced some of the Navy's most famous early vessels, including the USS Constitution.
Burned during the War of 1812, the Navy Yard was transformed into a center for ordnance and technological development. The facility was the world's largest ordnance plant during World War II, but its military role steadily diminished during the Cold War era.
Today, the Navy Yard includes the headquarters of Naval District Washington and is home to a naval museum. The area around the facility has been marked in recent years by significant commercial and residential revitalization.
CNN's Barbara Starr reported from Washington, and CNN's Catherine E. Shoichet reported from Atlanta. CNN's Chris Cuomo, John King, Deborah Feyerick, Evan Perez,Tom Cohen, Dan Merica, Larry Shaughnessy, Brian Todd, Alan Silverleib, Susan Candiotti, Joe Johns, Eliott C. McLaughlin, Joe Sterling, Paul Courson and Ed Lavandera contributed to this report.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Oito coronéis da PM receberam mais de R$ 50 mil em junho

Apenas oito coronéis da Polícia Militar de São Paulo receberam juntos, em junho deste ano, R$ 773,5 mil de pagamento do governo estadual, entre salários e benefícios
ANDRÉ CARAMANTE
DE SÃO PAULO

Os vencimentos líquidos desses oficiais variaram de R$ 51.689,33 a R$ 254.099,57.
O valor pago a cada um deles ultrapassa o teto do serviço público, de R$ 26,7 mil. Também supera o que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu no mês: R$ 14.019,84, com descontos.
Um soldado em início de carreira na capital ganha, em média, R$ 2.530 por mês.
Há uma semana, por causa da lei de transparência assinada em maio pela presidente Dilma Rousseff (PT), a gestão Geraldo Alckmin (PSDB) passou a divulgar no Portal da Transparência Estadual os vencimentos dos servidores do Estado.
Os valores pagos em junho podem incluir benefícios como férias, adiantamento do 13º salário e indenizações, "além de benefícios acumulados ao longo de uma carreira", diz nota da secretaria.
Salários acima do teto, de acordo com o governo, só são pagos por ordem judicial.
O policial mais bem pago em junho foi o coronel da PM Ailton Araújo Brandão, que recebeu R$ 254.099,57. A Secretaria da Segurança Pública não explicou como foi possível chegar a esse valor -o governador pediu que o caso do coronel fosse averiguado.
No site, estão os salários de todos os servidores da área da Segurança Pública, como os dos 166 delegados de classe especial da Polícia Civil, o topo da carreira no Estado.
Em junho, Oswaldo Arcas Filho foi o delegado de classe especial que recebeu o maior vencimento líquido: R$ 20.609,39. A Folha tentou ouvir os dois policiais, mas a assessoria da secretaria não atendeu a esse pedido.
'RISCO DESNECESSÁRIO'
Para o delegado George Melão, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia de São Paulo, a exposição dos salários dos policiais pelo governo tem dois lados: "a comprovação da disparidade entre o que recebem policiais militares e civis e a exposição desnecessária dos servidores da segurança pública".
A Associação dos Cabos e Soldados da PM afirmou que não ia comentar a disparidade entre os salários pagos aos praças e aos oficiais por se tratar de "assunto interno".


fonte: http://www1.folha.uol.com.br

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Onda de suicídios assusta

Em um ano, 11 agentes da PF tiraram a própria vida. Atualmente, policiais morrem mais por suicídio do que durante combate ao crime. Conheça as possíveis causas desse cenário dramático

Josie Jeronimo e Izabelle Torres

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DRAMA
Em 40 anos, 36 policiais federais perderam a vida no cumprimento da função.
Um terço desse total morreu por suicídio apenas entre 2012 e 2013
Vista do lado de fora, a Polícia Federal é uma referência no combate à corrupção e ainda representa a elite de uma categoria cada vez mais imprescindível para a sociedade. Vista por dentro, a imagem é antagônica. A PF passa por sua maior crise interna já registrada desde a década de 90, quando começou a ganhar notoriedade. Os efeitos disso não estão apenas na queda abrupta do número de inquéritos realizados nos últimos anos, que caiu 26% desde 2009. Estão especialmente na triste história de quem precisou enterrar familiares policiais que usaram a arma de trabalho para tirar a própria vida. Nos últimos dez anos, 22 agentes da Polícia Federal cometeram suicídio, sendo que 11 deles aconteceram entre março de 2012 e março deste ano: quase um morto por mês. O desespero que leva o ser humano a tirar a própria vida mata mais policiais do que as operações de combate ao crime. Em 40 anos, 36 policiais perderam a vida no cumprimento da função. Para traçar o cenário de pressões e desespero que levou policiais ao suicídio, ISTOÉ conversou com parentes e colegas de trabalho dos mortos. O teor dos depoimentos converge para um ponto comum de pressão excessiva e ambiente de trabalho sem boas perspectivas de melhoria.
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FALTA DE ESTRUTURA
Agentes trabalham amordaçados em protesto contra condições desumanas de trabalho
Uma pesquisa realizada pela Universidade de Brasília (UnB) no ano passado mostrou que por trás do colete preto, do distintivo, dos óculos escuros e da mística que transformou a PF no ícone de polícia de elite existe um quatro grave. Depressão e síndrome do pânico são doenças que atingem um em cada cinco dos nove mil agentes da Polícia Federal. Em um dos itens da pesquisa, 73 policiais foram questionados sobre os motivos das licenças médicas. Nada menos do que 35% dos entrevistados responderam que os afastamentos foram decorrentes de transtornos mentais como depressão e ansiedade. “O grande problema é que os agentes federais se submetem a um regime de trabalho militarizado, sem que tenham treinamento militar para isso. Acreditamos que o problema está na estrutura da própria polícia”, diz uma das pesquisadoras da UnB, a psicóloga Fernanda Duarte.

O drama dos familiares dos policiais que se suicidaram está distribuído nos quatro cantos do País. A última morte registrada em 2013 ainda causa espanto nas superintendências de Roraima, onde Lúcio Mauro de Oliveira Silva, 38 anos, trabalhou entre dezembro do ano passado e março deste ano. Mauro deixou a noiva no Rio de Janeiro para iniciar sua vida de agente da PF em Pacaraima, cidade a 220 quilômetros de Boa Vista. Nos 60 dias em que trabalhou como agente da PF, usou o salário de R$ 5 mil líquidos para dar entrada em financiamento de uma casa e um carro. O sonho da nova vida acabou com um tiro na boca, na frente da noiva. Cinco meses se passaram desde a morte de Mauro e o coração de sua mãe, Olga Oliveira Silva, permanece confuso e destroçado. “A Federal sabia que ele não tinha condições de trabalhar na fronteira. Meia hora antes de morrer, ele me ligou e disse: Mainha, eu amo a senhora. Perdoa eu ter vindo pra cá sem ter me despedido”.
Relatos de colegas de Mauro dão conta que ele chegou a sofrer assédio moral pela pouca produtividade, situação mais frequente do que se poderia imaginar. Como ele, cerca de 50% dos agentes federais já chegaram a relatar casos de assédio praticados por superiores hierárquicos. Essas ocorrências, aliadas a fatores genéticos, à formação de cada um e à falta de perspectivas profissionais, são tratadas por especialistas como desencadeadoras dos distúrbios mentais. “A forma como a estrutura da polícia está montada tem causado sofrimento patológico em parte dos agentes. Há dificuldades para enfrentar a organização hierárquica do trabalho. As pessoas, na maioria das vezes, sofrem de sentimentos de desgaste, inutilidade e falta de reconhecimento. Não é difícil fazer uma ligação desse cenário com as doenças mentais”, afirma Dayane Moura, advogada de três famílias de agentes que desenvolveram doenças psíquicas.
Os distúrbios mentais e a ocorrência de depressão em policiais são geralmente invisíveis para a estrutura da Polícia Federal. De acordo com o Sindicato dos Policiais do Distrito Federal, há apenas cinco psicólogos para uma corporação de mais de dez mil pessoas. Não há vagas para consultas e tampouco acompanhamento dos casos. Foi nessa obscuridade que a doença do agente Fernando Spuri Lima, 34 anos, se desenvolveu. Quando foi encontrado morto com um tiro na cabeça, em julho do ano passado, a Polícia Federal chegou a cogitar um caso de vingança de bicheiros, uma vez que ele tinha participado da Operação Monte Carlo. Dias depois, entretanto, descobriu-se que Spuri enfrentava uma depressão severa há meses. O pai do agente, Fernando Antunes Lima, reclama da falta de estrutura para um atendimento psicológico no departamento de polícia. “Os chefes estão esperando quantas mortes para tomar uma ação? Isso é desumano e criminoso”, diz ele.

O drama de quem perdeu um familiar por suicídio não se limita aos jovens na faixa dos 30 anos. Faltavam dois anos para Ênio Seabra Sobrinho, baseado em Belo Horizonte, se aposentar do cargo de agente da Polícia Federal. Com histórico de transtorno psicológico, o policial já havia comunicado à chefia que não se sentia bem. Solicitou, formalmente, ajuda. Em resposta, a PF mandou dois agentes à sua casa para confiscar sua arma. Seabra foi então transferido para o plantão de 24 horas, quando o policial realiza funções semelhantes às de um vigia predial. A missão é considerada um castigo, pois não exige qualquer treinamento. No dia 14 de outubro de 2012, Seabra se matou, aos 49 anos. Apesar de estar perto da aposentadoria, a família recebe pensão proporcional com valor R$ 2 mil menor do que os vencimentos do agente, na ativa.
 
Fruto de uma especial combinação de fatores negativos, internos e externos, o suicídio nunca foi uma tragédia de fácil explicação para a área médica nem para estudiosos da vida social. Lembrando que toda sociedade, em qualquer época, tem como finalidade essencial defender a vida de seus integrantes, o sociólogo Émile Durkheim (1858-1917) demonstrou que o suicídio é a expressão mais grave de fracasso de uma comunidade e que raramente pode ser explicado por uma razão única. Ainda que seja errado apontar para responsabilidades individuais, a tragédia chegou a um nível muito grande, o que cobra uma resposta de cada parcela do Estado brasileiro que convive com esse drama.
fotos: Cesar Greco / Foto arena; Adriano Machado