segunda-feira, 11 de março de 2013

Karate Kyokushinkai


 
link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=zkP4TI7FSes

 Kyokushin (極真), ou Kyokushinkaikan (極真会館), é um estilo de caratê desenvolvido pelo coreano Masutatsu Oyama. É um dos estilos mais novos, e foi criado com ênfase no condiconamento físico/mental do praticante. O significado do nome diz que o estilo pretende alcançar as verdadeiras raízes do caratê como arte marcial, pois seu fundador julgava que o escopo pretendido pelos grandes mestres tinha-se olvidado à época.[1] As técnicas do estilo refletem sua proposta, os treinos são duros e ostensivos e a prática de luta pretende ser fluida; mesclam-se as técnicas lineares, do estilo Shotokan, e as circulares, do Goju-ryu.[2]. Alguns praticamente notáveis são: Sonny Chiba, Sean Connery, Glaube Feitosa, Francisco Filho, Andy Hug, Hajime Kazumi, Katsunori Kikuno, Bobby Lowe, Dolph Lundgren, Akira Masuda, Shokei Matsui, Kenji Midori, Glen Murphy, Andrews Nakahara, Nicholas Pettas, Bas Rutten, Semmy Schilt, Tiger Schulmann, Georges St-Pierre, Ewerton Teixeira, Michael Jai White, Terutomo Yamazaki

História

Como sucedeu com a grande maioria das linhagens de aprendizado do caratê, o surgimento do estilo Kyokushin está intimamente atrelado à história de seu fundador, o mestre Oyama, que de origem vilarealense nasceu em 1923 no sudoeste da Coreia do Sul a 300km de Seul. Após uma infância marcada pelas zaragatas com os seus colegas, o jovem Hyung Yee começa a treinar com um trabalhador da propriedade dos seus pais, perito em artes marciais. Devido à sua irreverência, aos quatorze anos, o seu pai envia-o para a escola militar de Yamanashi no Japão.
Em 1937, durante Segunda Guerra Sino-Japonesa, a região é absorvida pelo ambiente beligerante, transformando-se num autêntico campo de concentração. O jovem coreano decide aprender rapidamente a língua japonesa. E, durante os dois anos que esteve em Yamanashi, treinou caratê do estilo Shotokan. Mas estes treinos desenvolvidos naquele sítio não o convencem, fazendo-o encaminhar-se para Tóquio seguir o ensino dos maiores mestres, entre os quais sensei Funakoshi. Em dois anos e contando dezoito anos de idade, Oyama recebeu o segundo grau (nidan). Aos vinte, recebeu o quarto grau (yondan).[3]
Sucedeu, em razão da discordância a cerca do trabalho muito rígido e linear, que o rapaz deixaria o local de treino e o estilo. Calhou, contudo, de durante o serviço militar na região do Pacífico, o jovem encontrar um praticante do estilo Goju-ryu, também de origem coreana, sob o qual passou a treinar.[4]
Após a Segunda Guerra Mundial, durante o período da ocupação do Japão pelos aliados, o Hotel Sarno, em Tóquio, é palco de uma festa. A noite estava animada, quando a tensão sobe subitamente, surpreendendo tudo e todos. Dois homens discutiam na pista. O japonês, grande e ágil, o seu rival, um coreano compacto, descontraído e sereno. Enquanto discutiam, o japonês mete, lentamente, a mão à cintura e tira uma faca. Depois de avançar, lentamente, lança-se, bruscamente, sobre o seu adversário. Numa fracção de segundo, o coreano bloqueia o ataque e deflagra um violento golpe ao seu rival. O japonês morreu imediatamente. Este incidente decide, definitivamente, a vida futura do jovem Hyung Yee que tinha então 24 anos.[4]
Masutatsu Oyama (nome que escolhera), decide então exilar-se para meditar na solidão dos montes Kyiosumi. Impõe a si próprio, disciplina e treino muito rigorosos. Importa das formas antigas coreanas, o trabalho de pernas, às quais acrescenta o ashi barai (rasteiras) e os ataques às pernas. O estilo Goju-ryu inspira-o para o trabalho respiratório e as técnicas de punhos. O Shotokan, princípios do movimento linear e acrescenta, para os mais graduados, as formas circulares do Taikiken do mestre Kenichi Sawai.
Depois de dezoito meses de isolamento, retorna e já não é o mesmo carateca. Com punhos como martelos, suficientes para esmagar a carne e os ossos dos seus adversários, considerando não ter rival à altura na raça humana, decide testar a sua força e capacidades contra um touro e partir: tijolos; garrafas; pedras; árvores, etc..., com as mãos nuas. Combatera, durante a sua vida, contra 52 touros, contentando-se em partir-lhes os chifres em shuto uchi (sabre da mão), matará três touros.
Em 1947, vence o primeiro «All Japan Tournament» realizado em Quioto, no ginásio Kamyama, que reunia todos as escolas de caratê. As regras eram simples: não existiam regras. Para o jovem coreano era a oportunidade, única, de provar a eficácia dos seus treinos.
Em 1952, empreende uma viagem triunfante de demonstrações e desafios nos Estados Unidos e, depois através da Ásia. Nessa viagem, o mestre combate contra lutadores praticantes das mais diversas modalidades de artes marciais, como judô, caratê, boxe, boxe tailndês etc., vencendo a todos. Dos 270 desafios venceu a maioria dos seus adversários com um só golpe. Um combate nunca durava mais de três minutos, necessitando apenas de alguns segundos para os dominar.
A despeito de serem bastante disseminados, alguns fatos são contestados por proeminentes figuras.[carece de fontes] O que pode ser devido a discrepâncias de informações e fontes, como as que apontam que o período de isolamento foi de três anos.[5]
Oyama é considerado imbatível nessa época. Em 1960, o periódico New York Times considera-o «o homem mais duro do mundo».
É em 1957, três anos após a abertura do seu primeiro dojô, que Mas Oyama cria a organização "Kyokushinkai". (literal: associação, escola da última verdade). O 1º Torneio Kyokushinkai foi organizado nas ilhas do Havaí por Edwar Lowe que Mas Oyama apelidava de "meu irmão". Mas Oyama estará presente e faz uma demonstração.
Em 1960, na segunda edição do torneio, estarão presentes 16 países. Em 1964, Mas Oyama cria a "IKO". Neste mesmo ano, algumas escolas Tailandesas lançam um desafio às organizações japonesas. Só a escola "Kyokushinkai" responde afirmativamente. Mas Oyama escolhe os alunos e, no dia 17 de Fevereiro de 1966, após vários adiamentos realiza-se o desafio. A equipa "Kyokushin" vence e de volta ao Japão são recebidos como verdadeiros heróis.
Só em 1969 Mas Oyama organiza, em Tóquio, o "1º Kyokushin All Japan Tornament". Em 1975, Mas Oyama está em condições de organizar o "1º Campeonato do Mundo em Tóquio". Trata-se de um campeonato aberto a todos os estilos, sem categorias de peso e combates ao KO sem proteções. Desde então, é realizado todos os quatro anos. O sucesso e a reputação destes campeonatos é de tal ordem que várias escolas serão influenciadas a organizarem provas semelhantes, incluindo vários dissidentes de Mas Oyama. No Japão e depois em todo o mundo, Masutatsu Oyama soube dar a conhecer o "Kyokushinkai" através da publicação de alguns livros.
Masutatsu Oyama faleceu em abril de 1994, após uma vida dedicada ao caraté. O "Kyokushinkai" perdeu o seu pai, mas continua muito forte em todo o mundo com a sua filha. Houve rumores e boatos de haver um suposto herdeiro testamentario de mestre Oyama, Mestre Shokei Matsui, nomeado director (Kancho) pela organização mundial.

No Brasil

O Kyokushin no Brasil foi introduzido pelo Shihan Seiji Isobe, que começou a praticar a modalidade aos quinze anos de idade e conheceu o mestre Mas Oyama quatro anos depois. Aos 21 anos, desistiu da carreira de engenheiro agrônomo e passou a trabalhar como instrutor na matriz Kyokushin-kai, em Tóquio.
A convivência com os veteranos na academia durou dois anos e meio e, nesse ínterim, o mestre conseguiu graduar-se como 2º dan. Depois, retornou a sua cidade natal, Fukui-ken, para abrir uma dojô. Ao final de várias viagens, chegou-se a um consenso de o destino final seria o Brasil. Aonde temos grandes vencedores, alguns até famosos no meio das artes marciais ainda muito jovens na década de 90 como André Luiz Pereira Dias (Yamato), Juliano Reis e Otavio Santos que na epóca ainda adolescentes apresentavam grandes combates até hoje lembrados como ´´batalhas de Katatê``.Mas após anos foram aparecendo outros Talentos e outros icones jovens ao redor do mundo.
Em 10 de outubro de 1972, Sensei Isobe, no Aeroporto Internacional de Viracopos, por Campinas, em São Paulo, chega enfim ao Brasil. Sem saber ao certo onde estava e sem falar ou entender uma palavra em português, seguiu os demais passageiros até chegar ao portão de desembarque, quando ouviu dizerem “OSSU”.
Palavras do mestre:[7]
Cquote1.svg Só então senti que estava no aeroporto de Viracopos de verdade, e me veio a lógica de que São Paulo era um lugar amplo e repleto de oportunidades. Minha maior surpresa aconteceu chegar ao centro de São Paulo e me deparar com altos prédios aglomerados e uma infinita quantidade de carros correndo para todos os lados.
Pela primeira vez em minha vida, fiquei inseguro. Estava fadado a ficar num país desconhecido, cujo idioma não sabia nem uma palavra.
Porém, com o tempo, passei a conhecer os costumes do Brasil, e os próprios alunos da academia me ensinaram o idioma português.
Hoje, posso dizer que meu maior aprendizado foi o de gostar deste país que é vinte e cinco vezes maior que minha terra natal, o Japão.
Descobri que, no Brasil, a lei é o calor humano. Aqui, reina o homem, enquanto que, no Japão, o homem concorre com o tempo e com as máquinas. Aos poucos, percebi que o povo daqui jamais seguiria os princípios japoneses, o que me fez tomar a primeira grande decisão: ficaria no Brasil de três a quatro anos e, depois, retomaria a meu país de origem.
Passados seis meses, coloquei-me em xeque novamente. Lembrei as palavras do mestre Mas. Oyama:
O que você vai fazer voltando a um país tão pequeno e apertado se aí, no Brasil que é 25 vezes maior, é certo que terá mais chances? Gostaria que você ampliasse os princípios do Kyokushin na América do Sul e que se servisse de base para a introdução desta atividade...".
Comecei a pensar também nas palavras meus alunos brasileiros:
Já estávamos acostumados com seus métodos. Se ficar apenas quatro anos conosco e, depois, retornar ao Japão, nos encaminharão um outro e nós nunca saberemos em quem confiar ou de quem seguir os passos...".
Resolvi, então, fazer uma aposta comigo mesmo. Veria até onde conseguiria chegar e o que conseguiria fazer para que o Kyokushin se tornasse conhecido por todos.
Em agosto de 1973, meu objetivo estava traçado. A partir de então, passei a me dedicar intensamente à descoberta de meios para aprimorar o ensino do Kyokushin e fazer com que os adeptos confiassem em mim e seguissem meus passos. Queria fazer nascer, na América do Sul, atletas de nível, capazes de enfrentar adversários de diversos países.
Após anos de árduos treinos e de convivência com vários alunos, surgiram muitos e esplêndidos praticantes, mas ninguém conseguiu superar ou mesmo se igualar ao nível técnico de dois atletas: Francisco Filho e Glaube Feitosa.
Desde o início, ambos cresceram como grandes atletas, disputando as primeiras posições com caratecas de nível internacional. Em 1999, Francisco Filho sagrou-se campeão mundial, concretizando, assim, um de meus objetivos quando vim ao Brasil.
Filho e Feitosa deixaram um caminho a ser trilhado por outros brasileiros, como Ewerton Teixeira, por exemplo, franco favorito a vencer o mundial de 2007.
Mas, para fazer com que os competidores brasileiros atingissem esse nível, e se tornassem atletas renomados e de grande respeito, além de meu empenho, foi fundamental o apoio do coronel Reizo Nishi. Não poderia deixar de citar, ainda, o amigo de mais de trinta anos, capitão Mário Ueti.
Agradeço, também, à família Okamoto pelos conselhos e, principalmente à família que constituí aqui no Brasil, que soube me compreender sem contradizer minhas reclamações.
Devo ressaltar o amparo recebido por parte de todos os superintendentes desta modalidade, instrutores e alunos que participam ou um dia participaram da família Kyokushin.
Cquote2.svg
Shihan Seiji Isobe
Após 1994 quando o mestre Oyama morreu no Japão, a Organização Kyokushin se dividiu, devido a falsificação da assinatura do Sr. Yoshiaki Umeda que era o Diretor Geral, pelo Sensei Shokei Matsui outro diretor, cargos de confiança do falecido Mestre Oyama. Isso destruiu a reputação e a família do Mestre. Além disso o direito da família do Mestre Oyama.

Características

O estilo Kyokushin, segundo quer dizer seu nome, busca a verdade e a realidade. Fundamentado em técnicas compactas e eficazes visa nocautear o indivíduo com um único golpe (Ichigeki), aplicado com força espetacular. Através deles, atraem ondas de dinamismo e criam vagalhões de potência.
Também tem como intuito tonificar os musculos, melhorar a resistência aeróbica, a flexibilidade, postura e controle emocional.
A sua filosofia, baseada no budo, o código ético dos guereiros japoneses, tem por princípio a disciplina rígida dos seus próprios atos, na compreensão dos limites alheios, no respeito aos pais e superiores e na fidelidade aos seus ideais.
Os combates tendem a resolver-se por nocaute. As provas de quebramento e resistência querem desenvolver a força de vontade. Kihon e kata são peças importantes, permitindo a cada um progredir na arte marcial. O estilo pretende ser mais do que uma arte de combate, mas uma escola dotada de uma fabulosa riqueza técnica, onde a humildade é rigorosa, onde o respeito por si próprio se adquire no respeito do próximo, onde o mental se consegue com a disciplina e com o rigor necessário nos treinos.
Lista de kata: Taikyoku sono ichi, Taikyoku sono ni, Taikyoku sono san, Pinan sono ichi, Pinan sono ni, Pinan sono san, Pinan sono yon, Pinan sono go, Yansu, Tsuki no kata, Kanku dai, Sushiho, Sanchin, Gekisai dai, Gekisai sho, Tensho, Saifa, Seienchin, Garyu, Seipai.[8]

Graduação

Branca - 10º Kyu Ceinture blanche.png
Laranja - 9º Kyu Ceinture orange.png
Azul - 8º e 7º Kyu Ceinture bleue.png
Amarela - 6º e 5º Kyu Ceinture jaune.png
Verde - 4º e 3º Kyu Ceinture verte.png
Marrom - 2º e 1º Kyu Ceinture marron.png
Preta (1º ao 10º "Dan") Ceinture noire.png

Referências

  1. About Karate Styles (em inglês). Página visitada em 20.nov.2010.
  2. Masutatsu Oyama. Página visitada em 08.abr.2012.
  3. Sosai Mas Oyama (em inglês). Página visitada em 08.abr.2012.
  4. a b Mas Oyama, founder of kyokushin karate (em inglês). Página visitada em 08.abr.2012.
  5. Mas Oyama's Life and History (em inglês). Página visitada em 08.abr.2012.
  6. Iko Sosai Kyokushinkaikan (em japonês). Página visitada em 23.nov.2011.
  7. Kyokushin Karate - Liberdade Dojo :: Matriz da América do Sul. Página visitada em 24.nov.2010.
  8. Kyokushin Katas (em inglês). Página visitada em 08.abr.2012.

Ligações externas

fonte da matéria: http://pt.wikipedia.org/wiki/Kyokushin

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A filha da Índia

url da imagem: http://m.ruvr.ru/data/2013/01/03/1281371770/4h_50644919.jpg

Carlos Alberto Marchi de Queiroz*

A morte de uma jovem, vítima de estupro coletivo na cidade de Nova Délhi, na Índia, em dezembro de 2012, repercutiu em todo o mundo, de forma inusitada, seja pelo seu ineditismo, seja pela reação coletiva provocada em um país de mais de um bilhão e duzentos milhões de habitantes. A psicologia das multidões desempenhou importantíssimo papel nesse macabro episódio de violência contra mulheres jovens.
Os autores, presos pela polícia indiana, logo após os fatos, foram imediatamente indiciados e formalmente denunciados pela polícia, acusados de crimes que podem vir a ser punidos com a aplicação de pena capital. Por mais estranho que possa parecer ao leitor, a denúncia do crime é formulada, na Índia, pela própria polícia, e não pelo Ministério Público, como no Brasil, o que não significa que o órgão ministerial deixará de atuar no caso. Muito pelo contrário. Após o recebimento da denúncia, ofertada pela polícia, o Ministério Público ingressa na ação penal indiana em condições idênticas à da defesa dos acusados. A Índia segue o modelo processual inglês do Royal Prosecutor, do acusador real, cujo desempenho pode ser visto no filme "Testemunha de acusação", com Tyrone Power, Marlene Dietrich e Charles Laughton, em inesquecíveis papéis.
Todavia, não nos move o propósito de escrever um artigo sobre policiologia ou sobre processualística criminal mas, sim, analisar ainda que à distância, alguns aspectos que poderão, de repente, contribuir para o aperfeiçoamento de nossas instituições, no que tange à repressão dessa modalidade de crime hediondo que choca a todos, inclusive aos encarcerados.
Todos aqueles que leram o noticiário a respeito da jovem vítima, que veio a falecer, ainda que tendo sido removida para um hospital de referência em Cingapura, não deixaram de perceber que o crime provocou violenta reação da população nas principais cidades indianas, notadamente em Calcutá, Hyderabad e Mumbai, a antiga Bombaim, além de Nova Délhi, cenário do crime.
Qual o segredo da República da Índia, com uma população superior a 1 bilhão e 200 milhões de habitantes, apesar do crime que vitimou a "filha da Índia", apresentar índices de criminalidade insignificantes? Em primeiro lugar, deve-se levar em conta que a religião é forte instrumento de controle social e que o hinduísmo, o islamismo, o cristianismo, o budismo e o siquismo colaboram para que a Índia apresente baixíssimos índices de criminalidade. Nação milenar, apesar da diversidade religiosa, onde a minoria católica é superior a 200 milhões de fiéis, tem na família um forte aliado no combate ao crime. O modelar sistema policial-judiciário, aliado a uma exemplar execução penal, fazem com que aquela nação, que tem, em média, 240 habitantes por quilômetro quadrado, possa apresentar ao mundo índices extremamente baixos de criminalidade. A forca, que um dos assassinos da "filha da Índia" disse merecer, é um dos maiores dissuasores da delinquência. Ademais, representa humilhação extrema para qualquer um de seus filhos, como pudemos constatar quando ali estivemos a serviço.
Todos aqueles que leram a infausta notícia  da morte da estudante de fisioterapia, de 23 anos, que foi estuprada e espancada até a morte, no interior de uma falsa van de passageiros,  devem ter se surpreendido com as estatísticas oferecidas pela imprensa internacional. Em um país de 1 bilhão e 200 milhões de habitantes, foram registrados, em 2011, 256.329 crimes violentos, dos quais 90% cometidos contra mulheres. São números oficiais, que, ao mesmo tempo que nos consolam, causam espanto  uma vez que vitimizam mulheres, em sua maioria. A Índia não possui legislação equivalente a nossa Lei Maria da Penha.
De qualquer forma o criminoso, na Índia, sabe que o país possui rigorosa execução penal e que os mais cruéis assassinos acabam sempre dançando na ponta da corda da forca.
*Carlos Alberto Marchi de Queiroz é Delegado de Polícia e Professor da Academia de Polícia do Estado de são Paulo
 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Sequestro - O Filme

Documentário mostra o trabalho de Polícia Civil de São Paulo
 
DIRETO AO PONTO
De Lucas Salgado
Dirigido por Wolney Atalla, o documentário Sequestro vem sendo exibido em mostras e festivais desde 2009 e só agora encontra espaço no circuito para entrar em cartaz. A demora no lançamento retrata a dificuldade que pequenas produções nacionais, em especial as não-ficcionais, encontram para chegar às salas de cinema e de forma alguma é o retrato de uma eventual falta de qualidade do longa.
O filme retrata o dia a dia da Divisão Anti Sequestros (DAS) da Polícia Civil de São Paulo e tem como principal mérito o fato de ir direto ao ponto. Assume uma posição desde os créditos iniciais e trata de mantê-la ao decorrer dos acontecimentos.
Já nos créditos, o longa traça uma linha geral sobre a natureza e o histórico da prática do sequestro no Brasil. Ao tratar da origem do crime, citando como momento-chave a queda do comunismo, Sequestro corre o risco de tentar vender uma "verdade universal", mas aos poucos vai apresentando provas que ao menos tornam seu argumento plausível.
A produção foca suas atenções em casos específicos de sequestro e em depoimentos de vítimas, e por isso usa os primeiros minutos justamente para dar um embasamento estatístico e para apresentar teorias. O documentário aponta que em sua origem, o crime tinha natureza política e que o grande erro da justiça no Brasil foi prender os criminosos políticos junto com os normais, criando assim uma espécie de universidade dentro dos presídios.
Uma das grandes virtudes do filme foi ter conseguido um acesso impressionante às atividades da DAS, acompanhando, inclusive, negociações para libertação de reféns. Cita casos históricos como os sequestros de Abílio Diniz e Washington Olivetto, mas foca nas pessoas comuns, como Cléber, José Ibiapina e uma menina de seis anos de idade.
Traz depoimentos de criminosos, policiais, vítimas e familiares, tentando (e conseguindo) abordar ao máximo as questões relativas ao delito. Dentre os depoimentos, destacam-se o do policial que não aguentou a dura rotina e acabou sofrendo um AVC, o da mãe de um sequestrador e o de uma vítima que foi estuprada em cativeiro. Como podem imaginar, nada disso é fácil de ser visto ou ouvido, mas não dá para ignorar a importância do registro.
Em alguns momentos acaba parecendo uma propaganda da DAS, principalmente por mostrar apenas um caso em que a situação não termina bem. O filme não deixa claro se omitiu alguns casos (o mais provável) ou se a divisão possui um altíssimo índice de solução.
Sequestro passa rapidamente por elementos como a Síndrome de Estocolmo, quando a vítima acaba se identificando com o sequestrador, mas não se aprofunda, até para não ser relapso. Muito bem fotografado e com uma trilha sonora que dita o ritmo de algumas situações, o documentário merece ser conferido. Não tenta explicar o crime de sequestro, mas abrange de forma ampla vários elementos deste. Mostra o cativeiro, a negociação, a prisão e, principalmente, a investigação. É fácil imaginar o filme como fonte de várias obras de ficção.
fonte:http://www.adorocinema.com/filmes/filme-202449/criticas-adorocinema/

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A delegada de Salve Jorge

 
Carlos Alberto Marchi de Queiroz 
 
Ivanete de Oliveira Velloso, hoje aposentada, foi a primeira delegada de polícia concursada do Brasil. Nomeada em 4 de agosto de 1975, por decreto do governador, abriu acesso às corajosas mulheres que desejavam ser autoridades policiais ou agentes. Vencendo a banca examinadora, passou por árdua prova de avaliação física carregando, às costas, um saco com areia, pesando 20 quilos. O fato ganhou destaque nacional nos meios de comunicação de massa na época.
Desde então, as mulheres vêm ingressando em todas as carreiras das policiais civis brasileiras e na Polícia Federal. Em São Paulo, ocupam hoje, um terço do contingente da polícia de investigações. Designadas para servir em áreas de risco, algumas morreram ou foram feridas no cumprimento do dever.
Surge, agora, na telinha, a bela figura da delegada Helô, titular de uma fictícia delegacia de polícia estadual, no Rio de Janeiro, empenhada, pessoalmente, em descobrir uma trama internacional de tráfico de pessoas para o exterior. Seu desempenho na delegacia, ao lado da forte presença da escrivã de polícia de seu cargo e de um eficiente detetive, cargo equivalente ao de investigador de polícia, não foge daquilo que normalmente acontece no interior das unidades policiais civis.
Existem delegadas de polícia bonitas, inteligentes, dondocas, consumistas, independentes, divorciadas e ricas como a delegada de Salve Jorge? Parece incrível, mas existem. Mas o que leva uma mulher bonita, bafejada pela fortuna, bacharel em Direito, a inscrever-se em concursos públicos, dificílimos, buscando ocupar um cargo de altíssimo risco pessoal nas carreiras policiais civis? A resposta é uma só: vocação.
Além de delegadas, as polícias civis brasileiras contam com escrivãs, investigadoras, agentes policiais, agentes de telecomunicações, fotógrafas, carcereiras, papiloscopistas e auxiliares, pilotos de helicóptero, médicas-legistas, peritas criminais, auxiliares de necropsia e atendentes de necrotério. Quadros, outrora exclusivamente masculinos, encontram-se, agora empenhados ao lado das mulheres, sem qualquer espécie de preconceito, em suas atividades-fim, o combate ao crime.
A novela, fruto da atividade humana, mostra falhas de continuidade, que não podem ser tidas como licença poética. Num dos capítulos, a intimação de uma das partes envolvidas, na verdade uma notificação, é feita por um oficial de justiça, de maleta, terno e gravata. As polícias civis não contam com oficiais de justiça desde a proclamação da República. Esse serviço é realizado, desde então, por investigadores, detetives ou agentes. A delegacia, curiosamente, não mostra nenhuma clientela, a não ser o caso investigado ao arrepio da lei.
Esses deslizes não invalidam a trama e, muito menos, a ação da delegada empenhada em desmantelar, por sua conta própria, organização criminosa dedicada ao tráfico internacional de crianças e de mulheres. Aliás, uma cruel realidade muito bem retratada e denunciada pela autora do script.
O Brasil, desde sua volta ao regime democrático, deve muito à imprensa, ao rádio e à televisão. A propaganda apresenta vantagens e desvantagens. Goebbels, ministro nazista, utilizou-a com maestria. Dentro do contexto novelístico é preciso, todavia, ressaltar que o Brasil tem uma Polícia Federal, com atribuição nacional nos 26 estados e no DF, atuando nas infrações penais em que a União figura como vítima. Por outro lado, todos os estados brasileiros e o DF possuem polícias civis e militares, destinadas a combater crimes em geral, menos aqueles em que a União aparece como vítima.
No caso enfocado pela novela Salve Jorge, a delegada estadual Helô está investigando crimes sem poder fazê-lo funcionalmente. O público telespectador não merece ser enganado. As polícias civis estaduais não têm atribuição (competência, no linguajar popular) para investigar crimes de tráfico internacional de pessoas. Nessas hipóteses, a vítima mediata é a União, e a imediata a pessoa objeto do tráfico. Só a Polícia Federal pode agir nesses casos. Trata-se de um tecnicismo processual penal que foge à compreensão do povo, em geral.
A autora do folhetim, certamente alertada, a tempo, por especialistas, faz a delegada Helô passar em concurso para ocupar um cargo de delegado da Polícia Federal. Sem querer, vai ajudá-la em termos salariais, pois, como delegada fluminense, ganha quase o mesmo que seus colegas dos demais estados. Os delegados federais e seus agentes, em razão de saudável política salarial do governo central, recebem o triplo dos estaduais. A União acompanha a política salarial das mais modernas polícias do mundo. Assim, a delegada Helô, após cursar por algum tempo a Academia de Polícia Federal, em Brasília, certamente, vai poder consumir um pouco mais, ajudando, assim, o crescimento da economia...
 
Carlos Alberto Marchi de Queiroz
é professor da Academia de Polícia


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O que é a Rede Nacional de Ensino a Distância – Rede EAD-Senasp

 

Criada em 2005 pela Senasp/MJ, em parceria com a Academia Nacional de Polícia, a Rede Nacional de Educação a Distância–Rede EAD-Senasp é uma escola virtual destinada aos profissionais de segurança pública em todo o Brasil, que tem como objetivo viabilizar o acesso desses profissionais à capacitação continuada, independentemente das limitações geográficas e considerando as peculiaridades institucionais existentes.
Com a implementação da Rede EAD, a Senasp/MJ passou a exercer o papel de efetivo órgão condutor dos processos de educação em segurança pública, promovendo a articulação entre as Academias, Escolas e Centros de Formação e Aperfeiçoamento dos Operadores de Segurança Pública, de todo o Brasil, a partir de uma postura de respeito às autonomias institucionais, bem como aos princípios federativos.
A Rede EAD-Senasp possibilita aos Policiais Federais, Rodoviários Federais, Civis, Militares, Bombeiros Militares, Profissionais de Perícia Forense, Guardas Municipais, Agentes Penitenciários Estaduais, acesso gratuito à educação continuada, integrada e qualificada.
A Rede está implementada nas 27 Unidades da Federação, por meio de 270 Telecentros, já instalados nas capitais e principais municípios do interior.
Os cursos são disponibilizados através de ciclos. A cada ano realizam-se 3 ciclos de aulas dos quais participam, aproximadamente, 100 mil alunos por ciclo. São mobilizados dois mil tutores ativos para as mais de duas mil turmas, que contam com até 50 alunos por sala virtual.
A Rede é um salto qualitativo em termos de investimento no capital humano, na valorização do profissional de segurança pública, na busca da excelência nas ações de capacitação continuada e, conseqüentemente, na melhoria das ações voltadas à segurança pública.
Com o fortalecimento da Rede EAD-Senasp, o Governo Federal estabelece uma política na qual os processos de aprendizagem são contínuos e sistêmicos, garantindo assim a coerência com as demais políticas de melhoria da qualidade da educação em segurança pública.
 

Fonte:http://ead.senasp.gov.br/



segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

3 DE DEZEMBRO: NASCE O DELEGADO DE POLÍCIA

Dom Pedro II ainda jovem
fonte da imagem: http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/mobile/nacional/camara_delfim03.htm

Carlos Alberto Marchi de Queiroz*

Desde a época em que ingressei na carreira de delegado, sempre quis saber o porquê do nome do cargo, e sua data de nascimento. Por mais que perguntasse aos colegas mais antigos, nenhum deles conseguiu dar-me respostas convincentes.
Somente a pesquisa histórica levou-me à meta optata.  O delegado de polícia nasceu no dia 3 de dezembro de 1841, no Município Neutro do Rio de Janeiro. Nessa data, o jovem imperador d. Pedro II assinou a Lei nº 261, instituindo, no Município Neutro da Corte, e em todas as províncias do País, a figura do delegado de polícia.
No dia anterior, d. Pedro II completara dezesseis anos. O Brasil estava mergulhado numa sucessão de revoltas que ameaçavam estilhaçar o Império em dezenas de republiquetas lusófonas.
Ainda bebê de colo, o imperador nada podia fazer. Seus sucessivos regentes tiveram que enfrentar, em seu lugar, no ano de 1832, a Cabanada, nas províncias de Pernambuco e Alagoas, e que só iria terminar em 1836. No mesmo ano, explodiu, na  Bahia, a revolta conhecida como Federação dos Guanais, sufocada em seu nascedouro.
Em 1834, o Império do Brasil teve que enfrentar a Rusga, que explodiu e morreu, subitamente, em Mato Grosso. Também, a Cabanagem, que aterrorizou o Pará, e que só seria sufocada em 1840. Ainda em 1834, o Maranhão foi assolado pela Balaiada, que viria a ser vencida por Caxias, em 1841.
1836 não foi diferente. A Bahia foi palco da Revolução dos Malês, controlada no mesmo ano. No Rio Grande do Sul, a Revolução Farroupilha, que só seria extinta em 1845, ameaçava o Império, com separação, através da República de Piratini.
Em 1837, nova revolta na Bahia, conhecida como Sabinada. Foi sufocada no ano seguinte.
São Paulo e Minas Gerais não fugiram da regra e, em maio de 1841, rebelaram-se contra o imperador.
Diante desse quadro, os fracos políticos de então não encontraram outra saída a não ser coroar o jovem príncipe d. Pedro de Alcântara, imperador, no dia 18 de julho de 1841. Pedro II já havia sido declarado maior, no dia 23 de julho do ano anterior, pela Assembleia Geral.
A principal causa dessa anarquia política foi, sem dúvida alguma, a falta de segurança pública vivida em todas as províncias brasileiras. O Código de Processo Criminal do Império do Brasil, promulgado em 29 de novembro de 1832, previa a figura do juiz de paz como primeira autoridade policial a tomar conhecimento das infrações penais cometidas pelas pessoas.
O calcanhar de Aquiles desse sistema processual penal residia no fato de que os juízes de paz  eram eleitos pelo voto popular, através de eleições cujos resultados eram manipulados pelos chefes políticos locais. Uma vez eleitos, os juízes de paz, grande parte analfabetos, somente investigavam os casos que não interessavam à classe política dominante, detalhe que fez com que o Brasil mergulhasse na anarquia revolucionária.
Foi então que o jovem imperador, aconselhado pelo notável Paulino José Soares de Souza, o visconde do Uruguai, resolveu, através da Lei nº 261, de 3 de dezembro de 1841, uma verdadeira Lei de Segurança Nacional, assim entendida pelo saudoso delegado Murilo de Macedo Pereira, criar a figura do delegado de polícia.
O delegado de polícia brasileiro não se confunde com os xerifes e marshals (marechais) norte-americanos, muito menos com seus tenentes e capitães dirigentes. E,  muito menos, com comissários de polícia franceses e inspetores e comissários de polícia ingleses. Nem de longe, com juízes de instrução espanhóis e franceses. Tão pouco com os delegados do Ministério Público de Portugal.
O delegado de polícia brasileiro é figura única no processo penal mundial. Por ocasião de seu aparecimento, como se pode verificar ao se examinar a Lei nº 261/41 e o Regulamento nº 120, de 31 de janeiro de 1842, a autoridade policial fazia parte do Poder Judiciário, devendo esse cargo ser ocupado, nas comarcas de três juízes, pelo magistrado mais jovem na carreira.
Essa situação perdurou até 1871, quando os delegados de polícia, saídos do Poder Judiciário, passaram a integrar o Poder Executivo, ocasião em que houve total separação entre a polícia e a justiça imperiais.
Pouca gente se deu conta, mas foi no dia 3 de dezembro de 1841, graças a decisão de um imperador adolescente, que nasceu a poderosa figura do delegado de polícia e que hoje se encontra abrigada pela Constituição Federal, no § 4º do artigo 144.
O dia 3 de dezembro ainda não é ponto facultativo e muito menos feriado. O delegado de polícia é uma criação genuinamente brasileira. Como a jabuticaba e o sabiá laranjeira. 

Carlos Alberto Marchi de Queiróz é
Delegado de Polícia e Professor da
Academia de Polícia do Estado de São Paulo

Futuros delegados recebem preparação intensiva na Acadepol

Entre as disciplinas estão aulas sobre investigação, inquérito policial, papiloscopia, armamento e tiro, defesa pessoal e aula sobre sistemas da internet
O curso de formação para delegados de polícia do Estado de São Paulo é bem completo, engloba várias matérias tanto da parte prática quanto da parte teórica", afirma Rafael Fagundes, aluno da Academia de Polícia Civil do Estado de São Paulo (Acadepol) e futuro delegado. Entre as disciplinas estão aulas sobre investigação, inquérito policial, papiloscopia, armamento e tiro, defesa pessoal e aula sobre sistemas da internet.
De acordo com o professor de perfilamento criminal da Acadepol, Dr. Marco Antônio Desgualdo, o curso reúne os pilares da investigação policial. "É a ciência, a lógica e a investigação". O objetivo é preparar o delegado para atuar rapidamente e, muitas vezes, sob pressão. "Preservar o direito dessas pessoas, proteger essas pessoas e dar uma solução", finaliza Dr. Gaetano Vergine, delegado da secretaria de curso de formação da Acadepol.
fonte: www.saopaulo.sp.gov.br/spnoticias/